Lembro-me da última vez que brinquei de gangorra: Era noite, estava com umas amigas em uma pracinha, estávamos bêbadas (de sorvete, que fique bem claro). Sempre que tomávamos sorvete juntas tínhamos a impressão de que nos embebedávamos: ríamos de tudo e de nada, cantávamos músicas em alto tom de voz, brincávamos como crianças que não éramos mais. Por fim não resistimos à gangorra e, com a falta de forças que as gargalhadas nos provocavam, às vezes uma ficava mais tempo em cima do que devia. Lembro-me que nessa ocasião saí machucada, um hematoma em cada coxa pela saída brusca do brinquedo. E hoje, mais adulta, percebo que a vida é assim...uma gangorra. Sei que essa comparação não é nem um pouco original, mas a maneira de perceber é. Percebo hoje que a vida é uma gangorra porque hoje sei que é difícil conseguir manter o equilíbrio, às vezes te falta forças para dar o impulso necessário à subida, às vezes você fica mais tempo que o necessário no baixo e, às vezes, saídas bruscas e inesperadas te causam dor, te causam mágoas. Às vezes a vida te dá o impulso e te põe lá no alto...e você então, ingenuamente (com a ingenuidade de uma criança que se diverte na gangorra do parque), acredita que tudo será alegria e então, sem esperar, ela te põe lá pra baixo...e aí, daquelas sensações, das alegrias, do contentamento, da pureza quase infantil, te surge a dor. E então a bendita dor vem na mesma proporção da imensa felicidade de outrora.
(Mas tal como as crianças, podemos esquecer a dor e subir novamente...)
Nenhum comentário:
Postar um comentário